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Professores dizem que foram demitidos da FMU ‘sem justificativas’ e ‘por e-mail’; faculdade nega

Segundo professores e alunos, as Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), em São Paulo, demitiram um grande número de docentes em cursos como educação física, direito, música e letras. Alguns deles afirmaram ao G1 que, mesmo após mais de 30 anos atuando na instituição, foram dispensados sem receber qualquer justificativa. A faculdade declara que “não informa o número de demissões por respeito aos profissionais”.

A professora Norma de Oliveira, conhecida como Norminha, integra a lista de demitidos em dezembro, no curso de educação física. Ela defendeu a seleção brasileira de basquete e foi bicampeã no pan-americano (1967 e 1971). Trabalhava na FMU há 30 anos.

“A demissão já é terrível, mas ocorreu de forma desumana. Pressionaram os professores dizendo que haveria cortes, mas não revelavam a lista de dispensados. Depois de passar um dia inteiro na faculdade esperando pela notícia, fui para casa. Às 22h30, chegaram mensagens no Whatsapp e no e-mail comunicando meu desligamento”, conta.

Segundo ela, só em educação física, foram mais de 20 docentes dispensados. “O que sustentava o curso era a o corpo docente. Não justificaram as demissões, mas elas ocorrem desde que o grupo Laureate comprou a FMU. Imagino que queiram contratar mão de obra mais barata", conta.

Outra professora do mesmo curso, que preferiu não se identificar, foi demitida também em dezembro, após 26 anos na FMU. “Foram várias levas de demissão desde que a faculdade foi comprada. Fomos avisados de que haveria cortes, nosso coordenador tentou evitar. Recebemos um Whatsapp afirmando que deveríamos tomar ciência do desligamento”, diz. “Foi horrível, porque não recebemos nenhuma justificativa, nenhuma alegação do porquê de aquilo estar acontecendo. Havia avaliações internas feitas pelos alunos e eu estava muito bem colocada. Todo ser humano merece saber por que foi demitido."

Um docente do curso de letras, também dispensado neste mês, reforça que a compra da faculdade em 2013 pela Laureate International Universities, rede global de instituições acadêmicas privadas, vem causando o desmonte na FMU. “Todos sabem que o motivo é corte de custos. Minha avaliação junto aos alunos era aprovação de mais de 80%”, diz. No caso deste docente, os estudantes organizaram um abaixo-assinado pedindo sua readmissão.

 

FMU nega acusações

 

Em nota, a FMU afirma que não informa o número de demissões e esclarece que, assim como as contratações, elas fazem parte “do ciclo natural do segmento””, sempre nos finais dos semestres. “Os eventuais ajustes (...) têm como base a opinião dos alunos, coordenadores de cursos, além de considerar também assiduidade, faltas, atrasos, bem como questões administrativas, entre outros, sempre em total obediência à legislação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES)”.

G1 entrou em contato com sindicatos de professores, mas não obteve resposta.

 

Alunos protestam

 

As demissões preocuparam também os alunos. “Fizeram isso quando já estávamos em férias. Estamos escrevendo uma carta de repúdio mostrando nossa indignação e exigindo a explicação do porquê demitirem os professores”, diz Renata Cruz, estudante de letras da FMU. “Nossos professores são capacitados e qualificados. O único objetivo é reduzir custos.”

 

Danielle Zebelin, também aluna da faculdade, afirma que a "qualidade vai cair drasticamente". "Nossos professores são excelentes, são anos de estudo e experiência. Estamos nos sentindo vulneráveis, assim como eles", relata.

NOTICIA RETIRADA DO SITE "G1"

Publicado em: 26/12/2017

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